Publicado por: Amanda Camasmie | fevereiro 10, 2010

Prefeitura de SP fecha albergues e corta merenda para crianças

Albergue São Francisco: cerca de 300 vagas perdidas. Moradores voltam às ruas

Editorial de domingo do Estadão chamou de “espantosa insensibilidade” as recentes medidas adotadas pela Prefeitura de São Paulo: o fechamento de albergues no centro e o corte de merenda para crianças.

O texto alega que, de acordo com Alda Marco Antônio, vice-prefeita e secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, 3.280 albergados não tinham necessidade desse tipo de abrigo. Segundo ela, “tem muita gente que ganha R$ 1 mil e continua morando nos albergues por comodismo. Ficam três, quatro anos”. A intenção da reforma seria então incluir os moradores de rua em programa sociais para possibilitar a reinserção social, oferecer passagens aos que desejassem voltar para suas cidades de origem e transferir idosos para hotéis especialmente preparados para recebê-los.

Mas, ao que parece, a realidade é outra. O Estadão destaca que, segundo a diretora da associação Paulista Viva, Marli Lemos, o fechamento dos albergues fez aumentar a quantidade de moradores de rua na região e em pontos como a Alameda Santos. O fechamento desses albergues, segundo o jornal, pode deixar cerca de mil pessoas nas ruas (o Movimento Nacional da População de Rua estima que 15 mil pessoas vivam nas vias da capital, relata o jornal Agora).

A Secretaria de Assistência Social de São Paulo alega que os albergues foram desativados em razão de estarem com suas estruturas prejudicadas. Pergunto a qualquer ser pensante: fechá-los resolve o problema?

Com as crianças carentes o quadro também é desanimador. O Estadão informa que a nova medida oferece apenas R$ 3,80 por dia para cada criança se alimentar.

Como bem finaliza o editorial do Estadão, “o governo municipal não percebeu ainda que deve ter um cuidado especial para não errar com moradores de rua e órfãos”.

Estou sozinha ou você também se sentiu atingido? Acredito que a Prefeitura tenha errado feio com um grupo muito maior.

Conheça o endereço de alguns albergues

Publicado por: Amanda Camasmie | janeiro 20, 2010

Casamento gay: medicina x religião

Imagem representativa da Inquisição: estima-se que a Igreja Católica tenha matado mais de 20 mil hereges

Apesar da Associação Americana de Psiquiatria ter considerado, em 1973, que nenhuma orientação sexual é doença, retirando a palavra homossexual da lista de transtornos mentais ou emocionais, há quem ainda conteste a comunidade médica.

De acordo com a Wikipedia, o Conselho Federal de Psicologia, no Brasil, aceitou que a homossexualidade não era um desvio sexual em 1985 e só em 1999 passou a estabelecer regras aos psicólogos em relação a questões de orientação sexual.

Polêmico todos já sabem que o assunto é, tanto que na China, a homossexualidade foi considerada doença mental até 2001. Pois então, mergulharemos na máxima da polêmica e invadiremos o seio da religiosidade.

O parlamento de Portugal, que até 1982 considerou o homossexualismo como crime, aprovou na sexta-feira do dia 8 de janeiro um projeto de lei para permitir o casamento gay. Segundo o jornal O Globo, a proposta será encaminhada ao presidente português, Aníbal Cavaco Silva e, se aprovada, os casamentos poderão ser realizados a partir de abril. Um avanço. Não para o Papa Bento XVI, santidade que ocupa o posto hierárquico máximo da Igreja Católica. Como construiremos um mundo com mais respeito, menos violência e mais amor, como a própria santidade prega, se religiosos ainda atendem a uma visão retrógrada e preconceituosa? Papa proclamou que o casamento gay seria uma ameaça à criação.

“As criaturas diferem-se uma das outras e podem ser protegidas, ou colocadas em perigo, de formas distintas, como sabemos a partir da experiência diária. Um ataque desse tipo vem de leis ou propostas que, em nome da luta contra a discriminação, atingem a base biológica da diferença entre os sexos”, afirmou o pontífice, de acordo com G1, portal de notícias da Globo.com.

O Papa ainda prega que a liberdade não pode ser absoluta, pois o homem não é Deus, mas a imagem de Deus, a criação de Deus. Para o homem, o caminho a ser tomado não pode ser determinado pelo capricho ou pela teimosia, mas precisa corresponder à estrutura desejada pelo Criador.

Seu antecessor, João Paulo 2º, já havia pedido perdão pelos erros do passado cometidos pela Igreja Católica. Segundo matéria da Folha de S.Paulo, o falecido pontífice desculpou-se pela Inquisição, quando a Igreja torturou e matou pessoas consideradas hereges. Acredita-se que mais de 20 mil pessoas foram mortas.

O astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642), condenado à prisão perpétua por defender que a Terra girava em torno do Sol, também recebeu o perdão do Papa.

De acordo com a Folha, João Paulo 2º ainda enumerou diversos outros erros cometidos pela Igreja, como as cruzadas, ditaduras, iniquidades cometidas contra as mulheres, os judeus, as guerras, o tratamento aos negros, as violências cometidas contra os índios da América e uma série de outros equívocos.

Quanto tempo a humanidade, em especial os homossexuais, precisará esperar para receber mais um perdão?

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Publicado por: Amanda Camasmie | janeiro 9, 2010

Seis dias sem luz e comunicação no RJ

Seis dias em Cajaíba: sem luz e comunicação

Decididos a encarar um final de ano diferente, 15 pessoas ainda mais diferentes estiveram dispostas a conviver sob o mesmo teto por seis dias. Chuvas torrenciais alimentaram o barro presente nos arredores do aposento. As roupas e a casa pediam menos umidade. Em vão.

À luz dos lampiões e ao som de vilões e percussões, as vozes emanavam a alegria peculiar do momento. A ausência de energia elétrica foi mais uma brincadeira. Muito sem graça se estivéssemos falando dos cerca de 168 mil brasileiros que não possuem luz elétrica em suas casas.

Notícias também não chegavam até o local. Pelo menos em notas oficiais. Contávamos com o nunca obsoleto boca-a-boca. Foi assim que descobrimos que pessoas haviam morrido em decorrência das chuvas fortes e que o trânsito nas estradas chegava a mais de dez horas. Com tanta chuva o que não podia faltar é água. Mas faltou. E nos pareceu pessoal, pois as duchas da praia estavam bem longe de gotejar. Jorraram a água que misturamos com nossos sabonetes rapidamente enquanto os trauseuntes jantavam por perto.

Nossa sobrevivência ganhou o auxílio do peixe, especialidade culinária. Afinal, essa é a melhor opção quando se está localizado em uma península carioca com cerca de 200 habitantes – número que dobrou com a chegada dos turistas. Dei graças a Deus por não fumar. O maço foi para  abusivos 7 reais. O pãozinho a 70 centavos já não nos assustou tanto. Pensávamos estar livres de qualquer ser conhecido. Nunca acredite nisso, mesmo em um lugar em que só se chega de barco. Consegui esbarrar em pelo menos três.

Nos últimos dias, pouco menos da metade do grupo já havia se desgastado em função de uma trilha de três horas (ida e volta) feita na chuva. Muitas quedas se distanciaram dos risos. Felizmente nada grave. Nada que também não pudesse ser esquecido nas noites entoadas por um samba alegre e de bom gosto. Alguns repetiriam o eterno clichê: foi bom enquanto durou. Prefiro dizer apenas que a vida é melhor a cada dia, pois à medida que o tempo passa, surgem mais boas lembranças.

Estimados colegas, peço desculpas pela ausência que já se estende há mais de um mês.  Um feliz Ano Novo a todos!

Publicado por: Amanda Camasmie | dezembro 5, 2009

A evolução da internet e o seu abismo

Apesar de nova, tive acesso a um computador quando o sistema operacional Windows ainda não reinava nas telas de milhões de usuários. Preenchi por algum tempo aquela telinha preta com o repetido comando “NC”, pintado em um quadro azul e letras garrafais brancas.

Então veio a Organização Europeia para a Investigação Nuclear (CERN) e no início dos anos 90 criou a web. O primeiro contato com internet foi na Telefônica, empresa na qual minha tia trabalhava. Aos 10 anos de idade, fui uma das que ficou maravilhada com o novo mundo que acabara de surgir.

No Brasil, sites como o Mandic, o UOL, ainda sem sua extensa e grandiosa arquitetura de informação, Zaz, Zipmail, e alguns outros, começaram a desenhar o sucesso do mundo virtual. Ao digitar www.ig.com.br, via-se apenas um cachorro e uma oferta para baixar um dos primeiros discadores grátis. Lembro-me até hoje da propaganda na televisão. Foi uma febre. Temperatura que hoje praticamente não se sente, com a banda larga e o turbilhão de informações.

Para nos ajudar com tantos novos sites, alguns sistemas de buscas surgiram: Cadê, Yahoo e depois o poderoso Google, ainda imbatível. Hoje, mal sabemos em qual link clicar quando arriscamos uma pesquisa no pai da busca. Na dúvida, clicamos nos 10 primeiros.

Estamos perdidos com tamanha evolução. A quantidade de informações sufoca. A necessitade de nos alimentarmos dela, ainda mais. Hackers e criminosos da internet se aproveitam dos mais desavisados, daqueles que ainda acreditam em tudo que leem ou veem. Frequentemente ainda recebo aqueles famosos e-mails: Envie essa mensagem ao máximo de pessoas possível e ganhe milhões de reais da AOL (Que inclusive declarou falência no Brasil); Procura-se tal criança desaparecida (Pouquíssimas são verdadeiras); Ganhe uma cesta da Nestlé ; Ganhe um notebook da Dell.

As pessoas ainda acreditam que podem ganhar um kit de produtos ou um notebook de graça, simplesmente por repassarem uma mensagem. É fácil enganar pessoas no mundo virtual. Afinal em um mundo que evoluiu tanto, essas pessoas só veem o que querem. E claro, acreditam em tudo.

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Publicado por: Amanda Camasmie | novembro 21, 2009

Google descobriu: ser VIP é um bom negócio

Google Wave: a onda que está deixando muitos usuários afoitos para utilizar o serviço

Com suas redes sociais e ferramentas colaborativas, o Google mostra que entende de pessoas tanto quanto de tecnologia. O pai da busca descobriu uma importante chave comportamental: ser VIP é um bom negócio.

O “novo Orkut” relança o modelo do seu antecessor: só entra quem for convidado. Muitos podem não se lembrar, mas quando os códigos HTML do Orkut começaram a triunfar na rede,  os usuários se debruçavam (vide cenário atual) para conquistar sua vaga nessa teia de (nem sempre) amigos virtuais.

Ser VIP tornou-se tão importante que muitos usuários acabaram caindo em fraudes e golpes que forjavam o convite oficial. De acordo com o portal Terra, o Google aponta que as únicas maneiras de conseguir um convite para o novo Orkut são acompanhar o blog do personagem fictício Danilo Miedi ou encontrar um amigo que já tenha acesso ao novo sistema e é identificado com um símbolo em forma de “O”.

Com o Google Wave, nova ferramenta de comunicação colaborativa, a busca pelo convite não foge à regra comportamental. Algumas revistas, como a Info, estão promovendo concursos cuja premiação é um ingresso para a novidade do mundo Google. Personagens influentes do Twitter são outros que reforçam o prestígio com sorteios desses convites. Afinal, são apenas 100 mil usuários VIPs presentes na nova engenhoca, segundo a Info.

Mas quero ir mais longe. Ser VIP hoje é bem similar a ser (quase) famoso. “Eu estou no novo Orkut” seria quase como dizer “Eu sou amiga da Pri, participante do Big Brother Brasil 9”. A maioria dos seus amigos acharia um máximo. O que eu acho? Precisamos rever nossos valores. Urgentemente.

Publicado por: Amanda Camasmie | novembro 7, 2009

Não acredite em todos os especialistas

BernardMadoff

Bernard Madoff: o homem que aplicou golpe milionário em celebridades e executivos

Joãozinho insistia em repetir sua tese, mas ninguém acreditava. Recorria então ao argumento quase infalível: quem disse foi o maior especialista no assunto. Silêncio. Ele venceu o debate. Ninguém pesquisou, muito menos se aprofundou. Era voto vencido, afinal como saber mais que o maior especialista no assunto? Como desconfiar de alguém com tanto crédito?

Foi com o mérito de “especialista no assunto” que o ex-presidente da Nasdaq, Bernard Madoff, aplicou um golpe cuja soma estimada é de US$ 65 bilhões. Aplicada em executivos e celebridades (como os atores de Hollywood Keven Bacon e John Malkovich), sujeitos aparentemente nada ingênuos – ou talvez bem menos do que os amigos de Joãozinho -, a fraude é considerada a maior da história dos Estados Unidos.

Condenado a 150 anos de prisão por criar um esquema de pirâmide financeira, o financista Bernard Madoff disse que autoridades americanas não conseguiram brecar a enorme fraude em 2006 porque “fizeram as perguntas erradas”, descreve o jornal Folha de S.Paulo, na edição do último domingo.

Segundo o jornal, Madoff relatou que os investigadores da SEC (equivalente à CVM brasileira) não fizeram o trabalho básico “que teria revelado a fraude”.

Ninguém julgou necessário checar se os negócios eram verdadeiros. Em 2006, os fiscais chegaram a pedir o número de registro de Madoff. Depois disso ele disse ter certeza de que seria preso dias depois. Não foi. O número não foi checado e o fraudador atribuiu o episódio a sua boa reputação no mercado, relatou o jornal.

Depois de alguns anos, Pedro,  amigo de Joãozinho, recorreu à informação dada pelo colega para sustentar uma nova tese. Dias depois riram dele. “Entrei no Google e chequei que o você disse no encontro passado. Era mentira”, disse um integrante da reunião. Silêncio. Ele venceu o debate.

O novo grupo julgou não ter repetido o mesmo erro. Dessa vez checaram a informação. Ou pelo menos acreditaram ter checado. Até hoje, o grupo (e talvez uma parcela bem representativa da sociedade) ainda acredita que basta consultar o pai da busca para saber a verdade. Quem dera.

Publicado por: Amanda Camasmie | outubro 30, 2009

Reconheça 20 coisas que muitos paulistanos ainda não aprenderam

Foto: Divulgação

Centro de São Paulo

Os moradores da cidade de São Paulo são famosos por sua pressa e impaciência. Dar bom dia? Pra quê? E esbarrar nos trauseuntes? Já virou rotina. Qualquer pessoa mais atenta que tiver a oportunidade de perambular por alguns poucos minutos nas ruas dessa cidade tumultuada, reconhecerá as 20 coisas que o paulistano ainda não aprendeu. Obviamente, o leitor encontrará mais tópicos para complementar essas observações. Por favor, compartilhe.

1. Ficar do lado direito da escada rolante quando não está com pressa. Caros conterrâneos, é tão difícil aprender que o lado esquerdo deve ficar livre para que os atrasados possam andar rápido?

2. Dar seta. Essa função está bem do ladinho do volante. Sem complexidade.

3. Deixar o pedestre passar. Principalmente em dias de chuva. Quantas vezes você não vê alguém todo atrapalhado com milhares de sacolas e aquele guarda-chuva pelitrapo (em português mais claro: esfarrapado) esperando horas para conseguir atravessar uma rua sem farol?

4. Responder “Não foi nada, magina”,  “Sem problemas” ou um “Tudo bem” quando alguém esbarra em você e pede desculpas. A resposta facial dos estressados é desanimadora. A maioria olha para sua cara, fecha o semblante e retoma sua introspecção.

5. Dar sinal quando observar alguém correndo para tomar ônibus. Não custa ajudar alguém que está atrasado. Nenhum ser humano do ponto de ônibus se comove ao ver uma pessoa tentar alcançar a condução em vão e reclamar esbaforida.

6. Responder educadamente ao mendigo. Lembrem-se de que apesar de encontrar-se em situação de extrema pobreza, o mendigo também é um ser humano. Deve ser respeitado. Muitas crianças recebem tratamento ainda pior. Tive o desprazer de observar o garçom de um bar jogando água em um morador de rua para que ele se afastasse do local.

7. Responder a um bom dia. Regra básica, não preciso nem comentar.

8. Sacolas de senhoras e senhores. Entendo que muitas vezes a pressa o impede, mas sempre que possível, tente colaborar e carregue as sacolas de idosos que estão nitidamente com dificuldades em subir as escadas.

9. Idoso em pé no transporte público. Muitos jovens não se dão nem ao trabalho de olhar quem está ao seu redor ou mesmo fingem que não viram. Prostram-se na cadeira e ficam até o seu destino.

10. Aprender a aguardar as pessoas saírem do metrô. Se todos fizessem isso, o processo seria muito mais fácil.

11. Falar ao celular. Tem gente que faz questão de praticamente berrar para “todos os interessados” que foi traída e que aquele ex-namorado não presta.

12. Gritar e fazer piadinhas com as pessoas no transporte público quando está em grupo. A ciência nem precisa comprovar. O comportamento de jovens em bando muda completamente. Pode apostar que aquele menino que fez uma piadinha com você no metrô não a faria se estivesse sozinho – ou pelo menos ela seria muito mais contida.

13. Usar termos (grosseiros) para demonstrar atração. “Gostosa” e “delícia” já tornaram-se eufemismo de abordagem nas ruas paulistanas. É preferível não citar as “inovações”.

14. Buzinar. É difícil entender que a buzina só precisa ser usada em casos extremos e que ela não fará o trânsito andar mais rápido?

15. Ouvir música no carro ou no celular. Ninguém está interessado em ouvir em alto e bom som o funk da última moda ou seja lá o ritmo de sua preferência. A cidade já é barulhenta o suficiente.

16. Reclamar. As pessoas acham feio reclamar de algo que está errado. Preferem observar um “corajoso” e concordar com a cabeça. Mas é claro, não adianta sair rodando a baiana. É preciso reclamar educadamente.

17. Empurrar. Muitos empurram propositalmente no transporte público e até nas ruas – onde teoricamente há mais espaço.

18. Mudar o lado do trajeto para deixar o outro passar. Incontáveis pedestres não dão passagem na calçada. Fazem de tudo para continuar andando reto, sem ao menos afastar-se um pouco para permitir a passagem. Escolhem um caminho e vão confiantes, tendo a certeza de que a outra pessoa mudará de lado.

19. Preconceito. É típico observar juízes de plantão medindo pessoas com roupas diferentes ou trejeitos que sugerem que a pessoa é homossexual, além de outros trauseuntes considerados fora do padrão. Talvez esse seja um dos piores defeitos não só do paulistano, mas do ser humano.

20. Comentar a roupa alheia e dar gargalhadas. Parece que não, mas quando estão rindo de você, é quase nítido. Cada um tem seu estilo. Muita gente pode achar o seu horrível ou sem graça.

E são tantos outros, não é? Difícil conviver em uma cidade onde todo mundo acha que é normal.

Publicado por: Amanda Camasmie | outubro 15, 2009

Um branco pode ser negro. Não é uma questão biológica, mas política

"Ser negro é uma decisão política", diz antropólogo

"Ser negro é uma decisão política", diz antropólogo

Em meio a lágrimas pegou a esponja e começou a esfregar os braços freneticamente. Com os dentes cerrados não hesitou em aumentar o atrito.

Mesmo com o braço ardendo não parou. Desistiu só quando já não podia mais suportar a dor. Conformou-se.  Aquela era sua cor. E não, ela nunca alcançaria a tonalidade branca de suas colegas e bonecas loiras.

Em uma outra época não muito distante, outra criança com a mesma pretensão arriscou um banho com cândida. Em vão.

Outros dois garotinhos africanos, contudo, nada tentaram. Afinal, ainda não entendiam muito bem a problemática no País. Trazidos da África pelo pai, mal falavam o português. Certo dia, ao chegarem da escola, questionaram o progenitor:

-Pai, o que significa macaco?
-Filhos, qual o motivo da pergunta?
-É assim que nos chamam na escola.

Triste para alguns (quem dera fossem muitos), normal para outros. Infelizmente a temática do negro no Brasil ainda está ausente nessas e em quase todas as escolas. “Não é fácil definir quem é negro no país”, declara o antropólogo Kabegele Munanga, professor-titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista concedida à Estudos Avançados e reproduzida pelo site Geledés Instituto da Mulher Negra.

Munanga também é vice-diretor do Centro de Estudos Africanos e do Museu de Arte Contemporânea da USP. Nascido em 19 de novembro de 1942 no antigo Zaire, foi o primeiro antropólogo formado na então Université Officielle du Congo, em Ciências Sociais (Antropologia Social e Cultural).

O antropólogo destaca que os estudos da genética, por meio da biologia molecular, mostram que muitos brasileiros aparentemente brancos trazem marcadores genéticos africanos. Ou seja, muitos brancos podem se dizer afro-descendentes. “Trata-se de uma decisão política”, diz Munanga.

“Em um país que desenvolveu o desejo de branqueamento [política governamental do século XIX para trazer imigrantes europeus e evitar a supremacia dos negros, que já somavam mais de dois milhões contra pouco mais de oitocentos mil brancos] , não é fácil apresentar uma definição de quem é negro ou não.

Assim, Munanga explica que a questão da identidade do negro é um processo doloroso. Os conceitos de negro e de branco têm um fundamento etno-semântico, político e ideológico, mas não um conteúdo biológico. Politicamente, os que atuam nos movimentos negros organizados qualificam como negra qualquer pessoa que tenha essa aparência. É uma qualificação política que se aproxima da definição norte-americana. Nos EUA não existe pardo, mulato ou mestiço e qualquer descendente de negro pode simplesmente se apresentar como negro. Portanto, por mais que tenha uma aparência de branco, a pessoa pode se declarar como negro.

No contexto atual, no Brasil a questão é problemática, porque, quando se colocam em foco políticas de ações afirmativas – cotas, por exemplo -, o conceito de negro torna-se complexo. Entra em jogo também o conceito de afro-descendente, forjado pelos próprios negros na busca da unidade com os mestiços.

“Se um garoto, aparentemente branco, declara-se como negro e reivindicar seus direitos, num caso relacionado com as cotas, não há como contestar. O único jeito é submeter essa pessoa a um teste de DNA. Porém, isso não é aconselhável, porque, seguindo por tal caminho, todos os brasileiros deverão fazer testes. E o mesmo sucederia com afro-descendentes que têm marcadores genéticos europeus, porque muitos de nossos mestiços são euro-descendentes”, diz Munanga.

Esses são conhecimentos essenciais para qualquer grade escolar. Quem sabe assim alguns negros deixem de tentar clarear os braços e outros brancos passem a clarear suas mentes?

Publicado por: Amanda Camasmie | outubro 7, 2009

Produtor do filme sobre Lula quer tirar sua empresa do vermelho

Livro de nome homônimo: inspiração para o filme

Livro de nome homônimo: inspiração para o filme

A sinceridade é nobre e rara. Quantos cineastas diriam veemente: “Quero é ganhar dinheiro com o filme”. Fico feliz pela falta de hipocrisia e triste por ouvir isso de um cineasta brasileiro – principalmente quando lembramos que profissionais como ele carregam uma grande responsabilidade: a de primar pela qualidade e evolução de um cinema que vem crescendo a cada dia. E não preocupar-se tão somente com o lucro, equiparando-se a alguns filmes do modelo hollywoodiano.

Em entrevista à Folha, Luiz Carlos Barreto, produtor do filme “Lula, o filho do Brasil” e do sucesso de bilheteria  “Dona Flor e seus Dois Maridos” (com 12 milhões de espectadores), afirma que quer usar o longa sobre a história do presidente para tirar a empresa do vermelho.

“Em 45 anos de cinema, essa empresa é um botequim que está no vermelho”, afirma. E completa: “Estou me lixando para a eleição de dona Dilma [Rousseff] ou de quem quer que seja”.

Barreto espera que ao menos 20 milhões de pessoas vejam na telona um Lula mais humano, que em situação de extrema pobreza superou todos os obstáculos. Mas o cineasta destaca que o personagem mais importante do filme não é Lula, é sua mãe. Batalhadora e guerreira, Eurídice Ferreirade Mello morreu de câncer aos 65 anos, quando Lula estava preso.

No filme dona Lindu é retratada como uma mulher pobre, analfabeta, de grande intuição, inteligência, que consegue resguardar a família de um destino que estaria possivelmete reservado a eles. Ela não queria que nenhum dos filhos virasse nem bandido nem prostituta. O Lula é uma das consequências de dona Lindu.

O filme estreia em janeiro de 2010, ano de eleição presidencial. “Quando eu fiz um filme sobre o Pelé ou o Garrincha, ninguém me perguntou por quê. Era o mesmo fenômeno: Garrincha, meninozinho pobre, que caçava passarinho e virou quatro semanas de páginas do ‘Daily Express’. O que é que é o Lula se não uma mistura de Garrincha e Pelé na política? Ele está para a política como Garrincha e Pelé estão para o futebol”, destaca em entrevista ao jornal ao se defender de um possível viés político.

Se barreto votou em Lula? Ele conta que só uma vez, das quatro eleições. Na última votou no Serra. Mas declara: O governo Lula está entre os três melhores que este país já teve, os outros dois foram Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas.

O orçamento do longa metragem já ultrapassou os R$ 17 milhões de reais, segundo a colunista da Folha Mônica Bergamo – a marca o torna o filme mais caro do cinema nacional. Bergamo destaca que os R$ 10 milhões iniciais foram arrecados de grandes empresas, como Odebrecht, Volkswagen e Ambev.

O Lula é realmente querido, não? “O filme não vai criar um mito, o Lula já é um mito. Estamos mostrando que ele é um ser humano com qualidades, defeitos, capacidade de luta, de superação”, diz Barreto.

Se algum “erro” ou “deslize” entrar em evidência, Lula possivelmente engatará sua típica resposta: “Eu não sabia”. Mas acredito que não será o caso. Afinal, quem conseguiria ganhar dinheiro falando mal de alguém que “é o cara”?

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Publicado por: Amanda Camasmie | outubro 2, 2009

Enem e a credibilidade da imprensa

Informações do Enem vazadas: Ministério cancelou a prova

Informações do Enem vazadas: Ministério da Educação cancelou a prova

A jornalista do jornal O Estado de S.Paulo, Renata Cafardo, foi escolhida por um anônimo para receber 180 respostas responsáveis pelo rumo de milhões de estudantes. Nesta última quarta-feira, 30 de setembro, às 15h30, Renata relata em seu blog que recebeu um telefoma cuja voz saía tremida, mas carregava convicção no seu propósito: “quero falar sobre o Enem”. Marcaram um encontro.

A jornalista, acompanhada por Sergio Pompeu, editor do Ponto Edu, blog do jornal sobre educação, e pelo fotógrafo Evelson Freitas, foi reconhecida por um homem que sentou-se prontamente à mesa do café, seguido de outro, que chegou poucos minutos mais tarde, com uma pasta cheia de papéis.

A repórter destaca que pediu para ver a prova, que segundo eles tinha sido vazada por alguém em Brasília, no Inep/Mec. Após folheá-la, incrédula, tratou de decorar o máximo de questões possíveis, até ser impedida de continuar. “Já viu demais”, disse um dos sujeitos.

Os dois homens pediram R$ 500 mil e tinham a convicção de que fariam o negócio com algum veículo de imprensa, afirma Renata. Eram homens simples que diziam não ser bandidos e que queriam apenas se livrar dos documentos rapidamente. O Estadão não aceitou e estampou a fraude no jornal.

A partir dessa história, podemos divagar por diversas questões. A primeira é a de que muitas pessoas não fazem ideia do que seja a imprensa. Há um ano, uma das pessoas mais esclarecidas que eu conheço me disse que a mídia ganhava dinheiro ao publicar tragédias. Felizmente não ganha. A mídia também não paga nada aos entrevistados, como muitos imaginam – pelo menos, na maioria das vezes.

Vejo outros personagens de meu convívio social repetirem insistentemente que a imprensa vive de defender interesses. E nesses interesses podemos inserir os corporativos, os políticos e por aí vai. Não posso negar que isso muitas vezes acontece. Infelizmente. Caímos sempre na fábula já obseleta, mas sempre fortemente presente em nosso cotidiano: O homem de tanto mentir, no dia em que contou a verdade, ninguém acreditou. Podem não existir veículos absolutamente isentos e transparentes. Mas existem muitos jornalistas, pode apostar.

Por quais motivos dois homens simples acreditariam poder ganhar R$ 500 mil com as provas do Enem? Arrisco três motivos: desconhecimento da máquina midiática – afinal, por que um jornal iria querer comprar um conteúdo que não poderia publicar? -, a crença na falta de credibilidade da imprensa brasileira ou terem sido meros instrumentos para algum (ou alguns) sujeito interessado em prejudicar o Ministério da Educação – ou melhor, ajudar.

Com maior acesso a informação, os cidadãos vão ficando cada vez mais desconfiados. Não acreditam na política, na imprensa, nas empresas, em seus parceiros, nos amigos. E nem neles mesmos. É a era da desconfiança. Não é à toa. Afinal, quantos não sairiam ganhando com essa fraude no Enem, se os humildes sujeitos tivessem atingido o alvo certo? Obviamente não muitos. Mas o suficente para tirar vantagem de milhões de pessoas.

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