
Bernard Madoff: o homem que aplicou golpe milionário em celebridades e executivos
Joãozinho insistia em repetir sua tese, mas ninguém acreditava. Recorria então ao argumento quase infalível: quem disse foi o maior especialista no assunto. Silêncio. Ele venceu o debate. Ninguém pesquisou, muito menos se aprofundou. Era voto vencido, afinal como saber mais que o maior especialista no assunto? Como desconfiar de alguém com tanto crédito?
Foi com o mérito de “especialista no assunto” que o ex-presidente da Nasdaq, Bernard Madoff, aplicou um golpe cuja soma estimada é de US$ 65 bilhões. Aplicada em executivos e celebridades (como os atores de Hollywood Keven Bacon e John Malkovich), sujeitos aparentemente nada ingênuos – ou talvez bem menos do que os amigos de Joãozinho -, a fraude é considerada a maior da história dos Estados Unidos.
Condenado a 150 anos de prisão por criar um esquema de pirâmide financeira, o financista Bernard Madoff disse que autoridades americanas não conseguiram brecar a enorme fraude em 2006 porque “fizeram as perguntas erradas”, descreve o jornal Folha de S.Paulo, na edição do último domingo.
Segundo o jornal, Madoff relatou que os investigadores da SEC (equivalente à CVM brasileira) não fizeram o trabalho básico “que teria revelado a fraude”.
Ninguém julgou necessário checar se os negócios eram verdadeiros. Em 2006, os fiscais chegaram a pedir o número de registro de Madoff. Depois disso ele disse ter certeza de que seria preso dias depois. Não foi. O número não foi checado e o fraudador atribuiu o episódio a sua boa reputação no mercado, relatou o jornal.
Depois de alguns anos, Pedro, amigo de Joãozinho, recorreu à informação dada pelo colega para sustentar uma nova tese. Dias depois riram dele. “Entrei no Google e chequei que o você disse no encontro passado. Era mentira”, disse um integrante da reunião. Silêncio. Ele venceu o debate.
O novo grupo julgou não ter repetido o mesmo erro. Dessa vez checaram a informação. Ou pelo menos acreditaram ter checado. Até hoje, o grupo (e talvez uma parcela bem representativa da sociedade) ainda acredita que basta consultar o pai da busca para saber a verdade. Quem dera.




É provável que a maioria dos brasileiros preocupados com o lema ordem e progresso já tenha adotado uma visão conformista diante da realidade de seu País.
Trajado com camiseta e shorts esportivos o homem brinca com uma bola ao passo que recebe bordoadas na cabeça.

Quantas vezes, de alguma forma, você já não abdicou de seus valores? Seja quando precisou mentir para não deixar alguém machucado ou quando foi obrigado a perdoar um ato antes inaceitável. Sem contar outros (piores) exemplos, claro.