É incontestável o que a vitória de Obama representa para a história. E um dos motivos, é inegável, paira no fato de ser negro.
Mas antes dele, outras forças resistentes ao preconceito já haviam se manifestado. Mulher e negra, Shirley Chisholm concorreu à presidência dos EUA em 1972. Mesmo derrotada, Shirley é um exemplo que deve sempre ser lembrado. Isso porque as mulheres só puderam exercer a cidadania nos EUA em 1920, antes mesmo até dos negros, que precisaram de Martin Luther King para, em 1965, conseguirem ir até as urnas.
E para quem considera as conquistas tardias, basta lembrar que até fevereiro de 2003, as mulheres ainda não tinham o direito ao voto no Kuwait. No Brasil, esse direito foi conquistado em 1934. Na África do Sul – região que acaba de ganhar visibilidade devido à Copa de 2010 – as mulheres só puderam votar em 1994, mas ainda hoje, recebem restrições do apartheid.
É triste. Mais triste porque, apesar das novas leis que “reinam” ainda existe muito preconceito. Quem trabalha com Recursos Humanos sabe que muitas empresas são categóricas ao solicitarem um serviço: “Não contratem negros” ou “Não contratem mulheres”. Ou ainda, sem qualquer necessidade de explorar a oralidade, essas mesmas empresas continuam pagando mais aos homens.
Todos vivemos, na verdade, em mundos diferentes. Quando julgamos ter evoluído é porque não conhecemos outros bairros, outras sociedades, outros países, outras vidas. Olhe de verdade para qualquer lado e se surpreenda: o mundo ainda precisa de muito sofrimento. Mas talvez você seja um daqueles que prefere só se preocupar em comprar uma casa na praia e viver bem, afinal, a vida é uma só, não é? Quem sabe?

Infelizmente, ter que se preocupar com questões étnicas e raciais prova o quanto o ser humano é idiota. Não poderíamos simplesmente aceitar como os outros são caso isso não faça a mínima diferença para a gente?
Por: Marcio Hasegava em junho 10, 2009
às 4:27 pm
o ser humano por decadas ainda infelizmente vai continuar futil,mesquinho,presunçoso e idiota.
Basta olhar para frente,para os lados enfim para todas as direçoes e constatarmos que estamos sempre a merce,de desastres naturais,desastres provocados pelo proprio homem,doenças e virus que podem provocar mortes em massa e o imbecil do ser humano continua querendo se achar o melhor por causa da cor,da raça do estatus enfim esta baboseira toda que quase todo o ser humano vive e ate se mata por isto.
E muito triste mas ainda vamos amargar por um bom tempo.
Por: janete em junho 10, 2009
às 8:30 pm
É triste e preocupante, principalmente se considerarmos a exitência de muitos daqueles que “preferem só se preocupar em comprar uma casa na praia”, enquanto ainda existem tantas desigualdades. Sim, o mundo realmente precisa de muito sofrimento.
Por: Âmara Ribeiro em junho 11, 2009
às 1:43 am
Em muitas sociedades, existe um conceito claro do que é ser uma pessoa perfeita. Deve-se nascer homem e branco. O quanto mais longe você estiver dessa projeção, mais preconceito você sofrerá. Ou seja, uma mulher negra está totalmente fora de todos os padrões impostos e aceitos como “corretos”. Não tenho muita informação sobre a questão racial nos Estados Unidos. Pelo pouco que sei, hoje – depois de MLK, Movimento Black Power, e etc.. – há uma força e uma união muito forte dos afroamericanos.
Agora, aqui no Brasil, paira uma mistura de preconceito, hipocrisia e total falta de informação. É repugnante ouvir de pessoas (que se julgam mais inteligentes que outras pelo simples fato de possuírem um diploma universitário) piadas, comentários e opiniões pseudo-intelectualizadas sobre a questão do negro no Brasil. É impressionante como muitos não sabem absolutamente nada e, pior, acham-se no direito de falar o que querem sem o menor embasamento.
O Brasil nunca quis ser um país negro. Tanto que durante a instauração da República (1889) os negros tornaram-se um problema que deveria ser resolvido. Como podemos ver esse “problema” não foi solucionado, pois a população não “clareou” como queriam as mentes pensantes do Império. E desde então, todos os escravos e seus descendentes foram obrigados a ser virar com o que tinham, ou seja, nada. As conseqüências desse período e o da escravidão podem ser percebidas até hoje. Alguns estudiosos acreditam que irá demorar um bom tempo para reparar alguns “errinhos” do passado e colocar toda a população brasileira em pé de igualdade.
Acredito que muitas coisas melhoraram, mas ainda faltam atitudes mais eficazes para, pelo menos, amenizar a ignorância sobre essa questão tão fundamental no Brasil, criar uma autoestima e uma forte identidade do negro brasileiro e acabar, de vez, com opiniões tão preconceituosas e despidas de conhecimento.
Por: Aline Oliveira em junho 16, 2009
às 10:34 pm