Publicado por: Amanda Camasmie | Junho 29, 2009

Como construir uma crítica?

1152114_hand_45“A imprensa é sensacionalista!”. Quem nunca ouviu ou falou essa frase? Em caso negativo, você é raro colega, pois a frase é dita frequentemente pelos próprios jornalistas.

Não apoio a generalização. Até entendo os fatos que podem tê-lo levado a esculpir tal imagem negativa. Mas responda sinceramente: o quanto você analisa realmente o papel da mídia em seu País (ou até fora dele) para construir um ponto de vista?

Em todas as profissões temos pessoas que nos fazem, em alguns – ou muitos – momentos, ter vergonha de assumir o papel que atuamos na sociedade. E, claro, todos acabam pagando o pato. Jornalista é tachado de interesseiro, vendido. Publicitário então, nem se fale. Político: melhor não falar.

E sabe por quê? Por que as pessoas adoram reproduzir informações sem pensar. Somente pelo péssimo hábito de querer criticar a todo custo. Afinal, reclamar é muito mais fácil. Não que muitos profissionais não deem motivos, mas a questão é: não são todos que dão. Generalizar é perigoso e injusto.

Mas o problema começa a ficar ainda mais grave quando os próprios profissionais ou aspirantes a profissionais cismam em querer cometer o mesmo erro. De acordo com o Webmanario, dois estudantes franceses forjaram uma matéria para faturar o prêmio de 5 mil euros em um concurso da revista Paris-Match para focas.

No discurso de entrega da premiação, eles revelaram a farsa: “Pensamos que seria uma boa oportunidade de revelar os mecanismos de um tipo de imprensa que não checa as informações e privilegia o sensacionalismo”. Os personagens da matéria eram todos amigos e representaram papéis. Segundo o Webmanario, a Paris-Match pagou o mico, mas cancelou o prêmio.

Concordo com Alec Duarte, blogueiro do Webmanario: podia ter acontecido com qualquer um. O que os estudantes quiseram provar? Que são péssimos repórteres? Como seria possível aos avaliadores checar a veracidade das fontes se não lhes fossem fornecidos contatos e endereços dos personagens? Seria, no mínimo, tirar totalmente a credibilidade do repórter. Cabe ao editor nortear o apurador sobre a ausência de dados e a deficiência no texto. Ao repórter cabe ser ético e responsável com o público e com seus colegas de trabalho.

Reproduzo minha troca de comentários com Alec Duarte: quantas invenções não estão sendo publicadas? Quantos profissionais não estão agindo impunemente. Lembro até hoje minha crítica negativa aos professores que nos obrigavam a fornecer os contatos de nossas fontes. Hoje, eu os entendo.

Por essas e outras, sei o quanto a mídia ainda terá de penar para arrancar esse estigma de sensacionalista. Ainda mais em uma sociedade em que as pessoas consideram estar mais críticas simplesmente por que “aprenderam” a reclamar mais.


Respostas

  1. Sensacional questionamento. Mas achei a forma como os estudantes fizeram isso válida. Uma crítica, a meu ver, se torna mais efetiva quando utiliza os defeitos do próprio sistema do objeto ao qual ela se refere.


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