Publicado por: Amanda Camasmie | Setembro 19, 2009

Pena de morte: o peso do julgamento

Broom: condenado à pena de morte por ter estuprado garota de 14 anos

Broom: condenado à pena de morte por ter estuprado garota de 14 anos

Por duas horas, os executores tentaram encontrar a veia de Romell Broom para aplicar a injeção letal. O esforço foi em vão. A execução foi adiada em uma semana, informou a BBC Brasil, na última quarta-feira, 16 de setembro.

Passadas as duas horas, o advogado de Broom solicitou que o procedimento fosse suspenso, descrevendo-o como “cruel”. O homem foi condenado pelo estupro e morte de uma jovem de 14 anos, em 1984,  no Estado americano de Ohio – região que já executou 32 prisioneiros.

Há oito anos, na noite do dia 25 de maio de 2001, instantes antes da injeção letal tocar suas veias, o negro Gary Graham, 36 anos, repetiu: sou inocente, minha morte é um assassinato praticado pelo Estado – cujo responsável era  George W. Bush, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, reproduzida pelo site Hzeta Notícias.

Bush disse na época que estava confiante de que a justiça estava sendo feita. Gary foi condenado à morte por ter supostamente cometido um assassinato em 1981, em Houston, quanto tinha apenas 17 anos. A sentença foi realizada com o testemunho de uma única pessoa, que afirmou tê-lo visto durante menos de um segundo.

Além disso, Gary não teve acesso a um bom advogado. Alguns peritos, segundo o jornal, defendem que a testemunha pode ter sido influenciada pela polícia. Duas outras testemunhas disseram que o rapaz não havia cometido o crime, mas o advogado não as fez depor.

No Japão, em junho de 2000, nove prisioneiros condenados à morte podem ter sido executados secretamente. As famílias não conseguiram obter a lista oficial das execuções. Alguns pediram clemência, outros novos julgamentos, de acordo com o site Pena de Morte.

Constamentente, muitos brasileiros defendem com indignação a pena de morte.  Alguns dizem clamar por justiça. Outros destilam diariamente fortes argumentos: “Sustentamos assassinos e estupradores na cadeia. Seria muito mais fácil se eles morressem logo”. Se pudessem, esses “justiceiros”, além de juízes, seriam os próprios algozes.

O problema de querer fazer justiça é quando sua ignorância esquece de te dizer que você também pode estar matando um inocente.


Respostas

  1. Questão complicada. Acho que existem canalhas que simplesmente não merecem viver. Alguém que mata não sei quantas pessoas e estupra não sei quantas outras obviamente bom sujeito não é e pouco do que ele fará realmente vai compensar seus erros. Porém, a morte é algo tão definitivo (talvez a única coisa definitiva de fato) que condenar alguém a esse destino merece um processor extremamente cuidadoso. Como não acredito em Deus e acredito cada vez menos no Estado, acho que não ninguém ou nenhuma instituição que seja limpa o suficiente para deter este tipo de poder.

  2. Questão complicada. [2]

    Acredito que deveria haver permissão para a pena de morte, mas só poderia ser executada se houvesse certeza absoluta que a pessoa, a ser condenada, é culpada e ainda só poderia ser condenada aquelas pessoas que cometeram um crime que levou a morte de pessoas, mesmo quando a vítima não tenha sido morta pelo acusado (o que levaria alguém que encomendou a morte de outro a sentença de morte).

  3. Pena de morte só pra réu confesso. E olhe lá.

  4. [...] Pena de morte: o peso do julgamento – O problema de querer fazer justiça é quando sua ignorância esquece de te dizer que você também pode estar matando um inocente [...]

  5. Eu sou extremamente contra pena de morte. Não só por motivos cristãos, mas eu acredito que qualquer distúrbio de personalidade de uma pessoa que comete crimes é fruto da convivência na sociedade. É, portanto, nosso dever civil reabilitar os criminosos. Se não conseguirmos, que eles vivam, então, isolados (prisão perpétua). Mas retirar-lhes a vida é dar sequência ao ciclo de violência que o levou até lá.
    Bom, até aí a opinião é minha, né..srsrs

    Adorei! Faz a gente pensar…

    Bjs

  6. matar para provar que é errado matar me parece errado, hein…

    amei o texto. bjão!

  7. [...] é um objeto mais difundido e por isso mais utilizado, influenciando toda a cadeia de produçãoPena de morte: o peso do julgamento – O problema de querer fazer justiça é quando sua ignorância esquece de te dizer que você [...]


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