Publicado por: Amanda Camasmie | Setembro 25, 2009

Ser honesto traz mais benefícios, revela estudo matemático

Foto: Stock.schngÉ provável que a maioria dos brasileiros preocupados com o lema ordem e progresso já tenha adotado uma visão conformista diante da realidade de seu País.

Seu João reclama da corrupção política estampada nos jornais matinais. Aninha se entristece ao ver o colega de trabalho alcançar o posto mais alto depois de ter prejudicado o ex-chefe.

Empresas enganam clientes e vice-versa – de um lado os preços abusivos e as tórridas e injustificáveis mentiras, do outro a famosa tática do “Então cancela”; estratégia que já se transformou no malandro jargão do consumidor que quer tirar vantagem.

Qual brasileiro nunca se perguntou: “De que vale a pena ser honesto?”. Se a análise for feita a longo-prazo, a resposta é: os honestos sobrevivem, é o que revela o estudo “O dilema do prisioneiro e a ética”, de Isaac Epstein, professor do centro de pós-graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo e autor dos livros Gramática do Poder (Ática, 1994) e Revoluções Cientificas (Ática, 1988).

O estudo mostra que tirar vantagem em todos os momentos não é a melhor estratégia, mesmo num universo governado por indivíduos movidos pelo egoísmo e pelo interesse próprio. Cidadãos estes que julgam promover o crescimento econômico.

Na pesquisa, Epstein ilustra um torneio com pesquisadores e especialistas da teoria dos jogos. No início os jogadores partiam traindo, pois iriam ganhar algo, caso o adversário fizesse o mesmo, e até muito mais, se o adversário fosse bonzinho.

Se o jogador por acaso encontrasse um traidor desumano, ele também deveria trair. Se, por outro lado, encontrasse um cooperador incansável e quisesse maximizar seus benefícios, deveria trair mais.

Se, porém, enfrentasse um participante que cooperasse até seu oponente traí-lo, e daí em diante nunca mais cooperasse, deveria cooperar.  A estratégia mais generosa indica a retaliação somente após duas traições do oponente. A característica  generosa facilita a cooperação dos jogadores a longo-prazo. O jogador egoísta não vai longe e acumulam pontos os jogares que cooperam.

Em outro exemplo de jogo, por 100 gerações os traidores desumanos dominam a população que se torna extremamente feroz. Uma minoria assediada sobrevive à beira da extinção. Mas quando os tolos, ou apenas justos, são quase extintos e não sobra ninguém para explorar, o jogo muda de direção. Os traidores começam a brigar entre si e se enfraquecem. Após 100 gerações a maioria muda dos traidores para os legais e, após 300 gerações, dos legais para os muito legais.

O estudo só veio comprovar algo que Jorge Ben Jor já sabia: Se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”.


Respostas

  1. muito bom!!!
    e que desfecho maroto, hein? =]
    Aproveito para indicar os cursos da Oficina Municipal, que contam com professores muito bons, capazes de inspirar posts bacanas como este.
    E são de graça!
    http://www.oficinamunicipal.com.br

  2. [...] Empresas enganam clientes e vice-versa – de um lado os preços abusivos e as tórridas e injustificáveis mentiras, do outro a famosa tática do “Então cancela”; estratégia que já se transformou no malandro jargão do consumidor que quer tirar vantagem. Leia +. [...]

  3. Ciência comprovando que a gente já sabia, não?!
    Grande Jorge!! =)

    Bjos

  4. [...] Ser honesto traz mais benefícios, revela estudo matemático – Estudo mostra que tirar vantagem em todos os momentos não é a melhor estratégia, mesmo num universo governado por indivíduos movidos pelo egoísmo e pelo interesse próprio [...]


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