
Informações do Enem vazadas: Ministério da Educação cancelou a prova
A jornalista do jornal O Estado de S.Paulo, Renata Cafardo, foi escolhida por um anônimo para receber 180 respostas responsáveis pelo rumo de milhões de estudantes. Nesta última quarta-feira, 30 de setembro, às 15h30, Renata relata em seu blog que recebeu um telefoma cuja voz saía tremida, mas carregava convicção no seu propósito: “quero falar sobre o Enem”. Marcaram um encontro.
A jornalista, acompanhada por Sergio Pompeu, editor do Ponto Edu, blog do jornal sobre educação, e pelo fotógrafo Evelson Freitas, foi reconhecida por um homem que sentou-se prontamente à mesa do café, seguido de outro, que chegou poucos minutos mais tarde, com uma pasta cheia de papéis.
A repórter destaca que pediu para ver a prova, que segundo eles tinha sido vazada por alguém em Brasília, no Inep/Mec. Após folheá-la, incrédula, tratou de decorar o máximo de questões possíveis, até ser impedida de continuar. “Já viu demais”, disse um dos sujeitos.
Os dois homens pediram R$ 500 mil e tinham a convicção de que fariam o negócio com algum veículo de imprensa, afirma Renata. Eram homens simples que diziam não ser bandidos e que queriam apenas se livrar dos documentos rapidamente. O Estadão não aceitou e estampou a fraude no jornal.
A partir dessa história, podemos divagar por diversas questões. A primeira é a de que muitas pessoas não fazem ideia do que seja a imprensa. Há um ano, uma das pessoas mais esclarecidas que eu conheço me disse que a mídia ganhava dinheiro ao publicar tragédias. Felizmente não ganha. A mídia também não paga nada aos entrevistados, como muitos imaginam – pelo menos, na maioria das vezes.
Vejo outros personagens de meu convívio social repetirem insistentemente que a imprensa vive de defender interesses. E nesses interesses podemos inserir os corporativos, os políticos e por aí vai. Não posso negar que isso muitas vezes acontece. Infelizmente. Caímos sempre na fábula já obseleta, mas sempre fortemente presente em nosso cotidiano: O homem de tanto mentir, no dia em que contou a verdade, ninguém acreditou. Podem não existir veículos absolutamente isentos e transparentes. Mas existem muitos jornalistas, pode apostar.
Por quais motivos dois homens simples acreditariam poder ganhar R$ 500 mil com as provas do Enem? Arrisco três motivos: desconhecimento da máquina midiática – afinal, por que um jornal iria querer comprar um conteúdo que não poderia publicar? -, a crença na falta de credibilidade da imprensa brasileira ou terem sido meros instrumentos para algum (ou alguns) sujeito interessado em prejudicar o Ministério da Educação – ou melhor, ajudar.
Com maior acesso a informação, os cidadãos vão ficando cada vez mais desconfiados. Não acreditam na política, na imprensa, nas empresas, em seus parceiros, nos amigos. E nem neles mesmos. É a era da desconfiança. Não é à toa. Afinal, quantos não sairiam ganhando com essa fraude no Enem, se os humildes sujeitos tivessem atingido o alvo certo? Obviamente não muitos. Mas o suficente para tirar vantagem de milhões de pessoas.

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Por: Twitter Trackbacks for Enem e a credibilidade da imprensa « Desconfiando [desconfiando.wordpress.com] on Topsy.com em outubro 2, 2009
às 4:13 pm
[...] A repórter destaca que pediu para ver a prova, que segundo eles tinha sido vazada por alguém em Brasília, no Inep/Mec. Após folheá-la, incrédula, tratou de decorar o máximo de questões possíveis, até ser impedida de continuar. “Já viu demais”, disse um dos sujeitos. Leia +. [...]
Por: Enem e a credibilidade da imprensa : Blog dos Alunos da Metô em outubro 3, 2009
às 3:59 pm
O ministro Haddad é um azarado
O novo Enem promete (ou prometia) revolucionar os abjetos vestibulares brasileiros. Em sua principal experiência probatória, entretanto, o misterioso vazamento da prova pode pôr tudo a perder.
Mas é muita urucubaca. Justo quando alguém está prestes a contrariar a bilionária indústria dos concursos, cursinhos e materiais didáticos, surgem suspeitas contra a gráfica da Folha de São Paulo, denunciadas pelo Estadão e recebidas de mandíbulas abertas pelos reitores das universidades estaduais paulistas, sob as críticas oportunistas do privatizador Paulo Renato Souza.
Com inimigos dessa monta, Fernando Haddad precisa tomar um belo banho de sal grosso. Mas uma boa investigação ajudaria muito também.
Por: Guilherme Scalzilli em outubro 3, 2009
às 9:35 pm
NÃO ESTÃO É ENEMAÍ PROS ALUNOS: O VAZAMENTO DAS QUESTÕES DO ENEM 2011 É O DESCASO COM OS ESTUDANTES.
Como é possível uma prova de nível nacional, que ‘’paga’’ ou deveria pagar para elaborarem questões inéditas, simplesmente, aparecer no Ceará nove questões idênticas e outras similares?
Onde está nosso direito? Simplesmente o Ministério da Educação já decidiu isolar o caso, como se fosse simples assim. E nós?… Iremos engolir em seco?
É preciso reivindicar sim. Pois não é justo que seja feita uma nova prova para os 630 alunos da escola do Ceará. Por mais que o Inep diga que as questões da nova prova terão o mesmo nível. É claro que eles já terão noção do que irá cair.
É injusto. E se nós alunos tivermos um mínimo de bom senso não apoiaremos uma hipocrisia dessas.
Pois é muito fácil abafar o caso e deixar por isso mesmo; e os estudantes, simplesmente, cruzarem os braços e esperar por uma decisão do Inep.
Quem nos garante que outros alunos não tiveram acesso a essas questões? Com certeza esses alunos que dispuseram das questões vazadas têm amigos, que tem colegas… E por aí vai.
Volto a dizer não é justo. Sei que muitos alunos podem até concordar em isolar, ou melhor, dizendo, abafar o caso. Mas se tiver um mínimo de bom senso e não pensar apenas no seu umbigo fará a coisa certa. Que é reclamar e pedir a anulação do segundo dia da prova. Visto que as questões vazadas correspondem a linguagens, códigos e matemática e suas respectivas tecnologias.
Por: diego em outubro 27, 2011
às 12:19 am